Suicídio e as crianças

16/09/2020

Por: Julissa Reynoso Diaz – Psicóloga em Mexico.

De acordo com a psicanálise, existem duas forças que atuam em uma pessoa desde que ela começa a interagir com o mundo: o desejo de vida e o desejo de morte. A tensão entre esses dois impulsos opostos gera uma tensão que requer uma solução, influenciando assim as ideias, o comportamento e a predisposição ao perceber nosso ambiente e interpretar o significado de um gesto, uma diferença de opinião, um sorriso, uma lágrima, um abraço ou a ausência dele.

Podemos reconhecer essa dualidade não só na individualidade das pessoas, mas também em sua vida em comunidade. Os contrastes estão por toda parte: na administração econômica, nas formas de diversão, na moda, na música, e também na forma de educar nas escolas e nas famílias, costumamos construir ou destruir. Aceitar como normal um ambiente violento é tão destrutivo quanto aceitar um ambiente de indiferença. Imagine o impacto que isso tem sobre as crianças.

O que se espera das crianças é que aprendam e se divirtam, e quando ouvimos falar em depressão infantil, estresse infantil, ansiedade infantil e outras coisas mais, começamos a achar que há exageros. É normal encontrarmos pessoas que dizem que sequer podemos falar alto com as crianças de hoje porque elas podem se traumatizar. Acabamos subestimando a realidade. Por querer ignorar a escuridão, ela foi crescendo.

No mês de setembro, há um esforço conjunto para conscientizar as pessoas sobre o suicídio, pensando no futuro, e os dados que você encontra na Internet são alarmantes e assustadores. Outro dia eu estava procurando informações e deparei com o fato de que o suicídio é a segunda maior causa de morte em crianças ou menores. Isso me quebrou as pernas. Não sei se é um dado atualizado, mas mesmo que não seja, o suicídio não deveria ter um lugar tão protagonista nas causas de morte, nem em crianças nem em qualquer idade. Alguma coisa está acontecendo conosco, ou melhor, estamos deixando passar alguma coisa. Os filhos deveriam estar sob os nossos cuidados! É difícil enfrentar esse choque de realidade, e é uma coisa que está piorando.

Crianças continuam nascendo, e tornando-se jovens que ainda podem ser moldados. Temos novas oportunidades para melhorar a situação se nos concentrarmos e nos esforçarmos para construir um futuro. Precisamos motivar e cultivar pensamentos que valorizem a vida, que sejam benéficos para toda a sociedade. Precisamos de atitudes que melhorem nosso relacionamento pessoal e interpessoal. Sinceramente, todos precisamos olhar e acreditar em Deus e em seus ensinamentos.

Aqui você encontra nosso conteúdo “Criando os filhos com amor”.