Suicídio – um pecado sem perdão?

22/09/2020

Psicóloga Daniela von Mühlen – Psicoterapeuta de casal, familiar e individual em Manaus – Brasil.

O suicídio está envolvido em sofrimento, dúvidas, questionamentos, incertezas, preconceitos e julgamentos.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, o suicídio pode ser definido como um ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte. Deve ser considerado como o desfecho de uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo, não podendo ser considerado de forma causal e simplista apenas a determinados acontecimentos pontuais da vida do sujeito. É a consequência final de um processo.

Em alguns momentos da história da Igreja, o suicídio foi classificado como um pecado sem perdão, ou seja, a pessoa que comete suicídio iria para o inferno, perderia a salvação eterna.

Mesmo que a pessoa esteja transgredindo o mandamento “Não matarás”, eu te pergunto: Se você morresse agora, você estaria sem pecados? A resposta é NÃO. Somos todos pecadores e não sabemos a hora da nossa morte, portanto não temos como afirmar que iremos morrer arrependidos de todos os nossos pecados, não é mesmo? Mas temos a certeza da salvação por meio da fé em Cristo.

O suicídio, por ser considerado um ato deliberado com intenção de morte, nos causa incertezas. Mas, os estudos na área da psicologia demonstram que a pessoa que quer se suicidar, muitas vezes, deseja reduzir o seu sofrimento por achar insuportável a dor, por achar que é a única saída para problemas, dilemas, dificuldades, crises e outras situações. É uma fuga. Um alívio para pressões externas com uma ideia de alcançar a paz, um descanso para seus tormentos.

Existem casos também de transtornos mentais onde a percepção da realidade é alterada, ou seja, a pessoa não consegue ver uma alternativa, tem uma avaliação negativa de si mesmo, do mundo e do futuro. O desejo de viver e morrer se confundem, o que prevalece é a urgência em sair da dor e do sofrimento interminável.

Neste sentido, como podemos julgar o que se passa na vida e na mente desta pessoa? Quem somos nós para avaliar e decretar quem terá salvação eterna ou não?

Em Romanos 8, nos versículos 38 e 39, lemos: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Devemos valorizar a vida sim, procurar ajuda, prevenir o suicídio que traz tanto sofrimento e não é uma opção para vencer os tormentos da vida. Mas também devemos apoiar os enlutados e deixar Deus ser Deus na vida de todos nós.

Nada pode nos separar do amor de Cristo, esta é a nossa certeza e consolo.